Betinho – Biografia Resumida, Movimento Contra a Fome, Obras e Livros


Betinho – Herbert José de Sousa – além de sociólogo, foi um grande ativista dos direitos humanos. Dedicou-se a projetos contra a fome, como a “Miséria e pela Vida” e “Ação da Cidadania contra a Fome”.

Juventude e início de carreira

Herbert José de Sousa, conhecido mais como Betinho, nasceu no dia 03 de novembro de 1935, em Minas Gerais.  Desde sua infância sofreu com problemas de tuberculose e hemofilia, herdados de sua mãe.

Betinho passou sua infância em ambientes bem diferenciados, como uma penitenciária e uma funerária, onde seu pai trabalhava. Também recebeu diversas influências da doutrina de padres dominicanos – com quem teve contato durante os anos de 1950. Ainda jovem, integrava movimentos como a JUC (Juventude Universitária Católica) e a JEC (Juventude Estudantil Católica).

Aos 27 anos tornou-se um dos fundadores da AP (Ação Popular), no ano de 1962. Criou o movimento juntamente com o político José Serra, Vinícius Caldeira Brant, Aldo Arantes, e outros líderes estudantis. Betinho também foi coordenador da entidade entre os anos de 1963 e 1964.


Betinho formou-se em Sociologia, em 1962, pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Chegou a assessorar o Ministério da Educação e Cultura (MEC), no governo de João Goulart. Também chefiou um comité do ministro Paulo de Tarso Santos, defendendo as bases da Reforma Agrária.

Biografia resumida de Betinho

Herbert José de Souza, mais conhecido por Betinho, nasceu na cidade de Bocaiuva, no norte de Minas Gerais, no dia 03 de novembro de 1935. Era filho de uma dona de casa e de um trabalhador de uma funerária. Desde cedo já demonstrava interesse pelos problemas sociais do país.

Formado em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1962, Betinho, durante os anos de 1960, participou da fundação da Ação Popular (AP). O movimento tinha como objetivo a luta pela implantação do socialismo no país.

Depois do Golpe Militar de 1964, o sociólogo passou exilado clandestinamente por 7 anos em países estrangeiros. Retornou ao Brasil no ano de 1979, criando o “Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas” (IBASE).

Foto do sociólogo Betinho

No ano de 1991, Betinho recebeu o “Prêmio Global 500”. A premiação foi concedida pelo “Programa para o Meio Ambiente das Nações Unidas” (UNEP). O prêmio reconhecia a luta do sociológico em defesa da reforma agrária e pelos direitos indígenas.

Já no ano de 1993, Betinho fundou a “Ação da Cidadania contra a Fome” e “Miséria e pela Vida”. Apesar de não ter ajuda governamental, as ações conseguiam fazer a distribuição de mantimento para diversas populações carentes.

Biografia de Betinho – Parte II

No governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo e ativista fez parte dos membros do “Conselho da Comunidade Solidária”. O movimento veio para substituir a “Fundação Legião Brasileira de Assistência” (LBA).

Nesta mesma época, em virtude de transfusões de sangue para tratar a hemofilia, Betinho descobriu-se contaminado pelo vírus HIV (Aids). Juntamente com um de seus irmãos, o cartunista e escritor Henfil, escreveu o artigo “A Cura da AIDS”. O texto defendia que a cura da doença seria uma questão de tempo.

No ano de 1995, a “Ação da Cidadania” passa a dar prioridade para a luta pela democratização da terras. Isso como forma de combater o desemprego e a fome.

O sociólogo e ativista veio a falecer no dia 09 de agosto de 1997, devido a complicações de Hepatite C, também contraída por uma transfusão de sangue, realizada como tratamento de sua hemofilia.

Seu movimento contra a fome

Betinho foi o fundador da “Ação da Cidadania contra a Fome” e da “Miséria e pela Vida”. Ambas organizações não contavam com nenhum tipo de ajuda governamental. Mesmo assim as ações conseguiam ajudar as populações mais necessitadas.

Já em 1993, Betinho lançou o movimento “Ação da Cidadania”. O programa visava mobilizar os segmentos da sociedade brasileira pela busca de soluções para os problemas da fome e da miséria. A organização existe até hoje, desde 1993, e luta para estimular a participação das pessoas para a construção da cidadania e para a melhoria de políticas públicas sociais.

A ação funciona por meio de comitês locais. Eles são conhecidos como cidadãos solidários, que se reúnem e se mobilizam para promover melhorias em todo o país. Existe um comitê em cada um de todos os estados do Brasil, que promovem ações  integradas, com sede na cidade do Rio de Janeiro.

Esses comitês locais realizam intervenções junto a famílias necessitadas, realizando ações assistenciais e pela luta dos direitos sociais. Os comitês são formados por pessoas voluntárias e realizam também ações como distribuições de mantimentos e alimentos, orientações às pessoas quanto aos seus direitos, promoção de emprego e geração de renda, valorização da educação e incentivos à arte, esportes e cultura. além de auxílio para pessoas em situação de rua.

Os comitês organizam as suas atividades, que são definidas através de um Fórum Nacional. Durante os fóruns são definidas  atividades, diretrizes e metas do programa. Nos fóruns, costumam estar presentes personalidades da sociedade civil, coordenadores da Ação da Cidadania dos estados do país, líderes comunitários, representantes de universidades e de movimentos sociais, ONGs e pessoas ligadas ao poder público.

Seu movimento contra a fome – Parte II

Vale destacar que, em 2006, o programa promoveu a ação “Natal sem Fome dos Sonhos”. A iniciativa arredou livros e brinquedos, com o intuito de denunciar a violação de direitos sociais ligados à educação e ao lazer das crianças e adolescentes.

Até hoje, mesmo sem a presença de Betinho a “Ação da Cidadania” continua realizando diversas ações e conquistas para a melhoria de vida e das condições das populações necessitadas. Centros de cultura e bibliotecas em locais pobres, por exemplo, são algumas das conquistas do movimento.

Maiores obras de Betinho

Além de ter lançado o projeto que continua até hoje “Ação da Cidadania”, Betinho faleceu deixando importantes obras, como livros, artigos e textos reflexivos. Entre as maiores obras de Betinho podemos citar:

  • Em Defesa do Interesse Nacional (reunião de texto de diversos escritores, incluindo Fernando Henrique Cardoso e Barbosa de Lima)
  • Estreitos Nós (livro de crônicas)
  • A Cura da Aids (conteúdos sobre a doença e sobre políticas públicas de saúde)
  • No Fio da Navalha (biografia)Foto de Betinho e sua frase famosa
  • A Lista de Alice (livro de crônicas)
  • Ética e Cidadania (entrevista)
  • O Estado e o Desenvolvimento Capitalista no Brasil (com co-autoria de Carlos A. Afonso)
  • Como Se Faz Análise de Conjuntura
  • A Centopéia que Pensava (obra infanto-juvenil)
  • A Centopéia Que Sonhava (obra infanto-juvenil)
  • A Centopéia Que Cantava (obra infanto-juvenil)
  • A zeropéia (obra infanto-juvenil)

Morte e fim de carreira

Betinho descobriu que contraíra o vírus da Aids em 1986, por meio de uma transfusão de sangue. Tal fato repercutiu em sua figura pública na criação de movimentos de defesa, apoio e direitos dos portadores do HIV.

Chegou a fundar a “Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS”, da qual foi o presidente até o seu falecimento. Mesmo tendo contraído Aids e Hepatite C, por meio de transfusões de sangue, Betinho nunca deixou de ser um ativista de questões sociais. Lutava, sobretudo, contra a desigualdade e a fome.

Porém, os anos passavam e as doenças deixavam o sociólogo e ativista cada vez mais debilitado. E no dia 09 de agosto de 1997, Betinho vem a falecer pelas complicações da Hepatite C. Betinho morreu na cidade do Rio de Janeiro.  Deixou dois filhos de dois casamentos: Daniel e Henrique,

Homenagens

Além de diversas homenagens, em 2006 foi lançado o longa metragem “Três Irmãos de Sangue”.

O filme é uma homenagem a Betinho e seus irmãos (que morreram também devido a complicações da hemofilia). O longa retrata a vida e a luta de Betinho pelo combate à fome e a questões sociais.

O filme foi uma criação do Marcos Souza, filho de Chico Mário e foi dirigido por Ângela Patrícia Reiniger.

Pergunta dos leitores

O que motivou Betinho a lutar contra a fome?

Betinho era sociólogo, portanto, estudou e conhecia as dificuldades do povo brasileiro, como o problema da fome – que atinge até hoje grande parte de nossa população.