Camões – Biografia, Poemas e Sonetos, Curiosidades


Luís Vaz de Camões foi um dos mais importantes poetas portugueses. Também é considerado uma das personalidades mais notórias que Portugal já teve.

Juventude e vida de Camões

Pouco se sabe sobre a infância de Luis de Camões. Apenas que foi o primeiro filho de uma família e que teria nascido entre 1524 e 1525.

Passou sua juventude na cidade de Coimbra. Desde essa época já era assíduo frequentador de bibliotecas. Estudou Filosofia e Literatura. Embora não existam registros em instituições de ensino, acredita-se que Camões estudou na Universidade de Coimbra.

Começou a escrever textos líricos quando frequentava a corte de Dom João III. Seus textos tratavam de assuntos relacionados a amores, a mulheres e à vida.


A vida de Camões, porém, não foi só de estudo. Ele contemplava a boemia e gostava de estar rodeado por mulheres. Conta-se que era alvo de inveja de muito fidalgos ricos pela sua sagacidade, facilidade em conquistar mulheres e inteligência.

Mesmo vindo de uma família tradicional, Camões viveu como um pobre soldado, sempre cheio de dívidas e permanecendo 17 anos longe de Portugal.

Principais obras e poemas de Luís de Camões

O reconhecimento das obras e poemas do escritor só se deu após o seu falecimento. Só depois de sua morte foi considerado um dos maiores poetas lusitanos, com obras, inclusive, feitas em outros países.

Camões escreveu obras líricas e peças de teatro de comédia. Suas principais obras que podem ser citadas são:Camões frases

  • Líricas

1572 – Os Lusíadas
1595 – Amor é fogo que arde sem se ver
1595 – Eu cantarei o amor tão docemente
1595 – Verdes são os campos
1595 – Que me quereis, perpétuas saudades?
1595 – Sôbolos rios que vão
1595 – Transforma-se o amador na cousa amada
1595 – Sete anos de pastor Jacob servia
1595 – Alma minha gentil, que te partiste
1595 – Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
1595 – Quem diz que amor é falso ou enganoso

  • Teatro

1587 – El-Rei Seleuco
1587 – Auto de Filodemo
1587 – Anfitriões

Características de suas obras

Nas obras de Camões podem ser vistos traços que comumente o escritor adotava em suas obras. As principais características de seus poemas e textos são:

  •  Utilização de sonetos;
  • Textos escritos nos gêneros: épicos, líricos e dramáticos;
  • Uso de temas universais: amor, saudade, ódio, alegria, entre outros;
  • Escrita rebuscada, com muitas figuras de linguagem, como metonímias, hipérboles;
  • Uso de métricas nos textos, como sílabas poéticas e rimas;
  • Versamento dividido em sílabas poéticas, como redondilhas maiores com 7 versos e redondilhas menores, com 5 versos.

Confira um exemplo em um dos trechos de “Os Lusíadas”:

“E foi que de doença crua e feia, A mais que eu nunca vi, desampararam Muitos a vida, e em terra estranha e alheia Os ossos para sempre sepultaram. Quem haverá que, sem o ver, o creia? Que tão disformemente ali lhe incharam As gengivas na boca, que crescia A carne, e juntamente apodrecia”.

Maiores frases

“Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.”

“Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.”

“Que dias há que n’alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.”

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,Tomando sempre novas qualidades.”

“Extremos são de amor os que padeço,
Ó humano tesouro, ó doce glória;
E se cuido que acabo então começo.”

“Assim te trago sempre na memória;
Nem sei se vivo, ou morro, mas conheço,
Que ao fim da batalha é a vitória”

“Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia o pai, servia a ela,e a ela só por prêmio pretendia.”

Maiores críticas de Luís de Camões

“Os Lusíadas” é considerado o maior poema português. Trata-se de uma obra épica e crítica publicada em 1571 pelo próprio poeta.

A obra aborda a viagem de Vasco da Gama às Índias. O texto faz um panorama histórico e rico das Grandes Navegações, tratando do contato com os povos desconhecidos, dos hábitos excêntricos do povo nativo e da exaltação dos heróis por “mares nunca antes navegados”. Acredita-se que a obra é uma espécie de exaltação e ao mesmo tempo crítica as conquistas portuguesas marítimas nos séculos XV e XVI.

Como mencionado nem só de exaltação “Os Lusíadas” foi concebido. Camões faz críticas à corrupção dos homens pelo capital. Isso por ser visto no trecho que narra a trama de Baco envolvendo os portugueses. Baco teria induzido um líder local a separar Vasco da Gama de seus companheiros e prendê-lo por pura ambição.

Sua influência na época

Luis de Camões foi uma das maiores e mais fortes inspirações e influências na formação da literatura portuguesa e brasileira. Percebe-se certa influência em suas obras do início do período barroco. Tal fato pode ser constatado em algumas semelhanças entre “Os Lusíadas” e a primeira obra épica brasileira: “A Prosopopeia” – de Bento Teixeira (1601).

As poesias do escritor Gregório de Matos também foram muitas vezes reproduzidas no modelo camoniano. Gregório de Matos utilizou-se, inclusive,de citações diretas de trechos de variados poemas de Camões.

Foi com Gregório de Matos que começou o processo de diferenciação da literatura portuguesa da brasileira. Porém, não se pode negar que as obras brasileiras continham muita inspiração da tradição camoniana de se produzir.

Por exemplo, durante o Arcadismo as obras brasileiras permaneceram sendo influenciadas por “Os Lusíadas”, como em “O Uragua”, de Basílio da Gama. Também em “Caramuru”, de frei Santa Rita Durão.

Já no lirismo de Cláudio Manuel da Costa e Tomás António Gonzaga é perceptível a influência de Camões. A literatura contemporânea também contém influências camonianas, como em algumas obras de Haroldo de Campos e de Carlos Drummond de Andrade.

Morte

Luis de Camões faleceu pobre, em Lisboa  no ano de 1580. No seu local de sepultamento, uma frase diz que ali jaz um poeta que foi desprezado pela sua própria pátria. Isso faz alusão ao fato de que seu reconhecimento como um dos maiores poetas do país se deu apenas após a sua morte.

Curiosidades de CamõesCamões

Pouco sabe-se sobre a vida de Camões. Não existem certezas sobre onde nasceu, nem mesmo a data exata. Acredita-se que o poeta tenha nascido entre 1524 e 1525.

Mesmo assim, há diversas curiosidades sobre a trajetória do poeta em vida:

  • Acredita-se que Camões tenha nascido em Coimbra e foi criado pelo seu tio.
  • Camões teria estudado Língua, História e Literatura.
  • O poeta era um jovem boêmio, dotado de traquejo com as mulheres.
  • Por volta do ano de 1549, Camões foi para para Ceuta, na África. O objetivo da viagem era aventurar-se. No local passou a fazer parte do exército que lutava contra os Mouros.
  • Camões tinha problemas em um de seus olhos, pois durante uma batalha teria perdido o seu olho direito. Tal fato pode ser confirmado nos retratos onde o poeta aparece com um tapa-olho.
  • O poeta foi preso por volta do ano de 1552. O motivo era as confusões e brigas nas quais se envolvia pelas ruas e pelas tavernas.
  • Camões foi um eterno viajante e esteve em diversos países do mundo

Mais algumas curiosidades sobre Camões

  • Conta-se que Camões participou de diversas expedições. Historiadores afirmam que em Macau ele cuidava de pessoas mortas e ausentes. Porém, foi demitido do trabalho,viajando em seguida para Goa.
  • Em Goa, o návio em que o poeta estava passou por um naufrágio. Porém, conta-se que Camões se salvou a nado com os manuscritos de “Os Lusíadas”.
  • Camões viveu em Goa até 1557. Nesse mesmo ano, o poeta viajou novamente – agora de volta a Portugal. Teria feito uma escala em Moçambique, onde sobreviveu com a ajuda de alguns amigos.
  • Foi novamente para Portugal (Lisboa), por volta de 1569.
  • Publicou,em 1571, “Os Lusíadas”.
  • Por cerca de 3 anos, Camões vivera em uma pensão.
  • O poeta foi a miséria e faleceu em um hospital no dia 10 de junho – talvez no ano de 1580.
  • Antes de falecer, Camões chegou a escrever uma carta a Dom Francisco de Almeida, onde um dos trechos dizia: “…Em carta a Dom Francisco de Almeida, o poeta refere esse momento: “…acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha pátria que não me contentei em morrer nela, mas com ela…”