Casimiro de Abreu – Poemas, Biografia, Obras, Legado e Influência


A literatura brasileira foi marcada por diversos nomes importantes. Dentre ele está Casimiro de Abreu, pertencente à segunda geração do romantismo.

Então, para saber um pouco mais sobre essa personalidade, continue lendo e descubra tudo o que você precisa saber sobre ele. Vamos lá?!

Quem foi Casimiro de Abreu?

Casimiro José Marques de Abreu, ou só Casimiro de Abreu, nasceu na Barra de São João, em Nova Friburgo, no dia 4 de janeiro d 1839. Ele foi um grande poeta da segunda geração do romantismo na literatura brasileira.

Juventude e início de carreira

Casimiro de Abreu era filho de um fazendeiro de origem portuguesa. Ele se chamava José Joaquim Marques Abreu e sua mãe se chamava Luísa Joaquina das Neves. Ela, por sua vez era viúva do primeiro casamento e fazendeira da Barra de São João.


Juntos, eles tiveram 3 filhos, porém nunca oficializaram sua união. Casimiro de Abreu nasceu na Fazenda da Prada. Essa, era uma propriedade que foi herdada por sua mãe depois da morte do primeiro marido. Ela não teve filhos desse casamento.

Casimiro de Abreu, ao contrário do que muitos pensam, recebeu apenas educação primaria. Isso aconteceu no Instituo Freese, dos seus onze aos treze anos de idade, na cidade de Nova Friburgo. Na época, essa era a cidade de maior porte da região serrana do Rio de Janeiro. Na época, era para lá que convergiam os adolescentes cujos pais induziam a aplicação nos estudos.

Mudança para PortugalDesenho de Casimiro de Abreu

Quando atingiu os treze anos, Casimiro de Abreu se transferiu para o Rio de Janeiro a fim de trabalhar no comercio com o seu pai. Foi com o pai que ele embarcou para Portugal no ano de 1853. Foi então que entrou em contato com o meio intelectual e então, escreveu a maior parte de sua obra.

Essa obra era carregada de saudade da família e sentimento nativista. Ele escreveu o seguinte: “estando a minha casa à hora da refeição, pareceu-me escutar risadas infantis da minha mana pequena. As lágrimas brotavam e fiz os primeiros versos de minha vida, que teve o título de Ave Maria”.

Foi em Lisboa que ele concebeu seu drama Camões e o Jau” no ano de 1856, que foi publicado logo em seguida. Ele tinha apenas 16 anos de idade quando a sua peça foi representada no teatro.

Ele voltou para o Brasil no ano de 1857, para trabalhar com seu pai no armazém. Porém, isso não afarou Casimiro de Abreu da vida boêmia.

Foi então que, no Brasil, ele começou a escrever pra alguns jornais e ficou amigo de Machado de Assis. Já no ano de 1859 ele editou uma série de poesias suas e as reuniu no título “Primaveras”.

Maiores obras e poemas de Casimiro de Abreu

Como não poderia ser diferentes, Casimiro de Abreu criou obras muito respeitadas até os dias de hoje. O seu único livro de poemas foi publicado quando ele tinha apenas 20 anos. No entanto, ele veio a falecer muito jovem, apenas um ano depois disso, não tendo tempo para compor uma obra com inúmeros títulos.

O encantador é que dentre essas obras é possível encontrar poesia, prosa e também teatro. Então, veja algumas das maiores obras de Casimiro de Abreu:

  • Fora da Pátria, prosa, 1855
  • Minha Mãe, poesia, 1855
  • Rosa Murcha, poesia, 1855
  • Saudades, poesia, 1856
  • Suspiros, poesia, 1856
  • Camões e o Jau, teatro, 1856
  • Meus Oito Anos, poesia, 1857
  • Longe do Lar, prosa, 1858
  • Treze Cantos, poesia, 1858
  • Folha Negra, poesia, 1858
  • Primaveras, poesias, 1859

No entanto, existe uma obra de Casimiro de Abreu que tem um grande destaque e é uma referência no meio. Essa obra se chama “Meus Oito Anos”. Nela é possível perceber seu saudosismo e a sensação de exílio que anima seus versos.

Por isso, foi consagrado por sua nostalgia tipicamente romântica de uma realidade pessoal que ficou no passado.

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenhoDa aurora da minha vida,Da minha infância queridaQue os anos não trazem mais!Que amor, que sonhos, que flores,Naquelas tardes fagueirasÀ sombra das bananeiras,Debaixo dos laranjais!

Como são belos os diasDo despontar da existência!- Respira a alma inocênciaComo perfumes a flor;O mar é – lago sereno,O céu – um manto azulado,O mundo – um sonho dourado,A vida – um hino d’amor!

Que auroras, que sol, que vida,Que noites de melodiaNaquela doce alegria,Naquele ingênuo folgar!O céu bordado d’estrelas,A terra de aromas cheia,As ondas beijando a areiaE a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!Oh! meu céu de primavera!Que doce a vida não eraNessa risonha manhã.Em vez das mágoas de agora,Eu tinha nessas delíciasDe minha mãe as caríciasE beijos de minha irmã!

Estátua de Casimiro de Abreu

Livre filho das montanhas,Eu ia bem satisfeito,De camisa aberto ao peito,- Pés descalços, braços nus -Correndo pelas campinasÀ roda das cachoeiras,Atrás das asas ligeirasDas borboletas azuis!

Naqueles tempos ditososIa colher as pitangas,Trepava a tirar as mangas,Brincava à beira do mar;Rezava às Ave-Marias,Achava o céu sempre lindo,Adormecia sorrindoE despertava a cantar!

Oh! Que saudades que tenhoDa aurora de minha vida (…)

Seu legado e influência hoje

Casimiro de Abreu deixou um excelente legado literário cujo valor é reconhecido até os dias de hoje. Sua importância para a literatura foi tanta que ele possui até mesmo uma estátua.

Essa homenagem ao grande escritor fica localizada na Praça Feliciano Sodré, no centro da cidade Casimiro de Abreu no Rio de Janeiro

Além disso, ele é o patrono da cadeira de número seis na Academia Brasileira de Letras, que foi fundada por Machado de Assis.

Últimos anos de vida e sua morte

Casimiro de Abreu contraiu tuberculose e por isso, se retirou para a fazenda de seu pai. Essa fazenda, é a atual sede do município que recebeu o nome Casimiro de Abreu em homenagem ao poeta.

Foi lá que ele tentou recuperar sua saúde, porém veio a falecer em seguida, no dia 18 de outubro de 1860, com apenas 21 anos.

Ele foi sepultado conforme era seu desejo: na Barra de São João. A sua lápide se encontra no cemitério Capela de São João Batista, juntamente com o seu pai.

Pronto, agora você já sabe um pouco mais sobre Casimiro de Abreu, sua vida, suas obras e seu legado para a literatura. Aproveite!