Cecília Meireles – Poemas, Biografia, Características das Obras


Cecília Benevides de Carvalho Meireles, mais conhecida como Cecília Meireles, nasceu em 7 de Novembro de 1901, no bairro de Rio Comprido na cidade de Rio de Janeiro. Seus pais Carlos Alberto de Carvalho Meireles era funcionário do Banco do Brasil e Mathilde Benevides Meireles, professora da rede pública do ensino fundamental.

Antes de seu nascimento sua mãe já havia tentado algumas vezes ter filhos. Porém Carlos, Vitor e Carmem não resistiram ao parto. Carlos porém, ainda permaneceu 3 meses com Mathilde vindo a falecer após esse período.

Três meses antes de nascer, seu pai faleceu. Ficou aos cuidados da mãe que também veio a falecer quando Cecília Meireles ainda não completara 3 anos. Desde então, passou a ser criada por sua avó materna Jacinta Garcia Benevides. Sobre este fato escreveu:

“Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.”


Quem foi Cecília Meireles?

Cecília Meireles, professora formada e apaixonada pela leitura foi uma escritora, poetisa, jornalista e contadora de histórias. Por gostar de contar histórias, estudou o folclore e ficou a frente de um programa de rádio voltado a literatura.

Viajou pelo mundo lançando uma sua coleção de livros e em 1934 realizou seu grande sonho e fundou sua biblioteca infantil nos Estados de Mourisco, Botafogo e Rio de Janeiro.

Cecília Meireles foi uma das maiores escritoras do Brasil. Embora tivesse sua atenção voltada ao público infantil por todo carinho que sentia, dedicou-se também a escrever para os adultos.

História de Cecília MeirelesCecília Meireles

Quando criança, Cecília Meireles teve uma infância bastante solitária. Sempre queria brincar com as outras crianças. Sua avó super protetora não permitia, pois seu medo de que Cecília ficasse doente era maior.

Numa época onde não havia tecnologia, televisão e o fogão era a lenha Cecília Meireles usava a imaginação para se divertir. Assim, em sua mente, criava florestas, árvores, animais, montanhas… Mesmo não sabendo ler, adorava folhear os livros. Ao ver as figuras, imaginava uma voz saindo do livro e contando as histórias.

A noite, sua babá Cecília lhe contava histórias de contos populares como a Mula sem Cabeça , histórias sobre reis e rainhas e isto aguçava ainda mais sua criatividade.

Ao conclui a 4ª série na Escola Estácio de Sá em 1910, recebeu uma medalha de ouro por ser considerada excelente aluna e só tirar notas altas. Nesta época já havia desenvolvido a paixão por livros, assim iniciou a escrita de seus primeiros versos. Seu talento porém não estava apenas na escrita. A música também a encantou, assim Cecília Meireles aprendeu a cantar e tocar violão e violino.

Quando tinha 16 anos se formou como professora e aos 18 seu primeiro livro intitulado Espectros foi lançado.

Em 1922 casou-se com o artista plástico português Fernando Correia Dias com quem teve três filhas. Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernandes cresceram morando na chácara da avó Jacinta.

Seu esposo cometeu suicídio em 1935, então em 1940 Cecília Meireles casa-se com o professor engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Inicio de carreira

Embora tenha dedicado vários anos de sua vida ao magistério com paixão voltada a educação de crianças, desempenhou com louvor atividades literárias e jornalísticas levando textos com riquezas de detalhes a diversas revistas e jornais cariocas da época.

Suas primeiras publicações foram associadas ao Simbolismo por ter feito parte do grupo espiritualista do modernismo brasileiro Festa, mas nunca se filiou a nenhum movimento literário.

Principais obras de Cecília Meireles

Cecília Meireles publicou diversas obras dentre as quais:

  • Espectros, 1919;
  • Criança, meu amor, 1923;
  • Baladas para El-Rei, 1925;
  • O Espírito Vitorioso, 1929;
  • Saudação a  Menina de Portugal, 1930;
  • Batuque, Samba e Macumba, 1933;
  • A Festa das Letras, 1937;
  • Olhinhos de Gato, 1940;
  • Problemas de Literatura Infantil, 1950;

    Ou isto ou aquilo
    Obra de Cecília Meireles “Ou isto ou aquilo”

Olhinhos de Gato é uma obra pouco conhecida, porém bastante particular. É voltada ao público infanto-juvenil e baseada na vida de Cecília Meireles. Nesta obra sua infância é contada desde que perdeu sua mãe, passado pela criação de sua avó Jacinta, meigamente chamada no livro de Boquinha de Doce.

No teatro, Cecília Meireles também se destacou com as peças::

  • O Jardim;
  • Ás de Ouro;
  • O Vestido de Plumas;
  • As Sombras do Rio;
  • Espelho da Ilusão;
  • A Dama de Iguchi;
  • O Jogo das Sombras.

Homenagens

A biblioteca Cecília Meireles foi inaugurada em 1964. Mesmo ano de sua morte.

Em 1965, pelo conjunto de sua obra, foi agraciada com o Prêmio Machado de Assis. Prêmio este concedido pela Academia Brasileira de Letras. O grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa da cidade de Rio de Janeiro recebeu através do Governo do Estado da Guanabara o nome de Sala Cecília Meireles.

Em 1974, uma escola municipal de educação infantil localizada no Jardim Nove de Julho em São Paulo para homenageá-la recebeu seu nome. Em 1989 uma nova cédula de 100 cruzados com sua epígrafe é lançado pelo Banco Central do Brasil.

A biblioteca Infanto-Juvenil do bairro da Lapa recebeu seu nome em 1991. O ano de 2001 foi instituído, por decreto como O Ano da Literatura Brasileira através do Governo Federal.

Em São Domingos de Benfica, Lisboa, uma rua recebeu o seu nome. Em Ponta Delgada, Cecília Meireles também teve o seu nome homenageado depois que foi colocado em uma avenida.

Últimos anos de vida e sua morte

Lecionou Literatura e Cultura Brasileira pela Universidade do Texas em 1940. Neste mesmo período articulou conferências sobre a Literatura Brasileira em Lisboa e Coimbra.

Em 1942 tornou-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro dedicando-se a várias viagens para os Estados Unidos, Europa, Ásia e África; sempre realizando conferências sobre Literatura, Educação e Folclore.

Cecília  Meireles faleceu no dia 9 de novembro de 1964 no Rio de Janeiro. Seu velório ocorreu no Ministério da Educação e Cultura.

Seu legado

Como legado deixou diversas obras, livros, peças de teatro… Até hoje o reconhecimento por suas obras e cuidado com a educação de crianças e jovens permanecem fortes, tendo ruas, bibliotecas e escolas com seu nome. Sua história de vida se perpetua e serve como lição para adeptos a leitura, escrita e educação.