Lampião o Rei do Cangaço – Quem foi? Como Morreu? Livros e Filmes!


Lampião nasceu no ano de 1897. Foi o cangaceiro brasileiro de maior destaque na história do país. Recebeu, inclusive, o apelido de “Rei do Cangaço”. Lampião costumava andar em bando.

Ele e seus aliados cometiam diversos crimes por vinganças e disputadas de terras. Também tinha o ideal de tirar dos ricos para dar aos pobres. Lampião e seu bando costumavam a espalhar o terror pelos locais onde passava.

Quem foi Lampião?

Como mencionado, Lampião foi o “Rei do Cangaço”. O cangaceiro mais conhecidos no país.

Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, nasceu no dia 7 de julho do ano de 1897 – na cidade de Serra Talhada (Pernambuco). Veio de uma família pobre, de criadores e lavradores.


Lampião foi o 3 º filho de uma família que lhe dera 7 irmãos. Ainda criança aprendeu a ler e escrever, também ajudava a família em uma pequena fazenda que possuíam. Lampião costuma cuidar dos animais das pequenas terras que tinha a família.

Estudiosos apontam que seu apelido surgiu devido à cor do cano de seu rifle – que se mantinha em brasas, assemelhando-se a um lampião.

Infância e juventude

O ambiente do cangaço sempre atraiu Lampião. Em certa ocasião, a família de Lampião é acusada de ter furtado animais de terras vizinhas. Uma delas se tratava de terras da importante família Saturnino, que era ligada à oligarquia.

Depois de um tempo do ocorrido, alguns dos irmãos de Lampião foram acusados de matar gados de vizinhos, como vingança. E assim, passaram a ser perseguidos pela polícia local.

A família de Lampião decide, então ,fugir. Durante a fuga, a polícia mata o pai de Lampião. Ele, então, deu a missão a um irmão de cuidar dos irmãos menores.

Lampião, com dois irmãos mais velhos, decidiu começar a percorrer os estados nordestinos. O objetivo era fazer justiça contra as dificuldades que os nordestinos pobres enfrentavam.

História de Lampião

O primeiro ataque de Lampião e seus irmãos aconteceu em 1922, em Alagoas. O ataque foi contra a casa da baronesa de  Água Branca. Lampião e seus irmãos levaram todo o dinheiro que encontraram na imponente casa. Distribuíram diversos bens roubados aos pobres.

A união de Lampião e seus irmãos se transformara em um verdadeiro bando. Eles tinham ideias de justiceiros. Chegaram a invadir fazendas, além de saquear mercadorias de comerciantes e distribuí-las aos pobres.

O bando andava por 5 estados nordestinos. Pelos lugares onde passava, o bando não tinha piedade de matar ou torturar pessoas. Deixavam rastros de destruição e, até mesmo, de crueldade, devido ao que consideraram fazer justiça com as próprias mãos.

Em 1 de agosto do ano de 1923, o bando de Lampião acaba sofrendo a sua 1 ª emboscada. O fato ocorreu na cidade de  Nazaré do Pico, no estado de Pernambuco.

O combate aconteceu na praça central da cidade pernambucana, com a participação de habitantes do local.  Deu-se, assim, o movimento conhecido como “Força de Nazaré”. O movimento se torna o principal perseguidor de Lampião e seu bando.

No ano de 1926, Lampião e seu bando se encontravam em Juazeiro, no estado do Ceará. Lampião e seu bando são acionados para combater a chegada da Coluna Prestes. Lampião recebe uma patente de capitão. O fato coincide com a visita do Padre Cícero à Juazeiro – o que acalma os ânimos de Lampião e seu bando, como forma de respeito ao religioso.

Cerca de dois anos depois, o bando de Lampião faz uma travessia pelo Rio São Francisco. O objetivo era chegar em Sergipe e na Bahia. Assim, acontece mais um combate, agora, com as  forças baianas.

História de Lampião – Parte 2

Já no ano de 1929, as andanças do bando de Lampião chegaram ao povoado da região de Malhado da Caiçara – Bahia. É quando Lampião conhece Maria Gomes de Oliveira. A jovem tinha 19 anos e era casada.

Porém, Maria logo se separou de seu marido, com quem vivia uma péssima relação. Em seguida, entrou para o bando de  Lampião. A partir de então torna-se a famosa Maria Bonita – a companheiro fiel de Lampião. Maria Bonita foi a 1 ª mulher a ingressar no cangaço e fazer parte de um bando.

No ano de 1932, Lampião e Maria bonita têm uma filha: Maria Expedita de Oliveira Ferreira Nunes.

Nos anos de cangaço, Lampião tinha o hábito de satirizar e enfrentar as forças policiais, o governo e as pessoas consideradas influentes. Lampião e seu bando possuíam uma incrível habilidade de escaparem de emboscadas, de armadilhas e até mesmo de tiroteios.

O bando de Lampião era conhecido por conseguir despistar policiais. Lampião chamava a polícia de macacos.

História de Lampião – Parte 3

Lampião e seu bando era temido por alguns e venerados por outros.

Lampião desenvolvia vestimentas especiais para ele e seu bando e tinha o hábito de se atentar aos detalhes das peças. Lampião e seu bando faziam uso de muitos adornos, entre eles, anéis, medalhas, correntes de ouro, etc.

Lampião tinha o costuma de se vestir com roupas parecidas a usadas pelos batalhões militares. Também usava óculos  – acessório que sempre aparecia nas fotos do cangaceiro. A primeira fotografia de Lampião data o ano de 1926.

No dia  28 de julho de 1938, na Grota de Angico (Sergipe), o bando de Lampião foi surpreendido por ataques de metralhadoras Com isso, Lampião é atingido e falece. Morre também Maria Bonita e 9 cangaceiros do bando.

O ataque fora coordenado pelo tenente João Bezerra. As cabeças de Lampião e seu bando foram decapitadas, submetidas ao processo de mumificação e expostas em Santana do Ipanema, no estado de Alagoas. Depois disso, os corpos foram transportados para o Museu Nina Rodrigues (na Bahia). Em 1968, os corpos são devidamente sepultados em valas comuns.

Maria Bonita, o amor de Lampião

Maria Bonita e Lampião (Foto Reprodução)

Maria  Bonita foi a 1 ª mulher a frequentar o cangaço e fazer parte de um bando de cangaceiros. Maria Bonita se apaixonou por Lampião e providenciou seu divórcio, de um casamento conturbado. Logo depois da separação, abandonou tudo para seguir Lampião.

Maria Bonita contava com a aprovação de seus pais em relação a sua união com Lampião. Isso porque ele era visto como um verdadeiro salvador pelas pessoas que sofriam injustiças sociais no Nordeste.

Maria Bonita foi a responsável  por atrair mais mulheres para integrar bandos diversos de cangaceiros.

A relação de Maria Bonita e Lampião durou 8 anos e só acabou com a morte dos dois. O casal teve uma filha.

O bando de Lampião é exterminado em dia 28 de julho de 1938, como já mencionado. As mortes tiveram requintes de crueldade. De acordo com laudos médicos, Maria Bonita teria sido degolada ainda viva.

Principais acontecimentos em sua vida

Entre os principais acontecimentos da vida de Lampião, podemos citar:

  • 1922: Lampião passa a comandar o grupo de cangaceiros.
  • 1923: Lampião e seu bando assaltam a casa da baronesa de Água Branca (Alagoas) e distribuem seus bens aos pobres.
  • 1927:Lampião coordena seus homens para tomar a cidade de Mossoró (RN). A tentativa, porém, não dá certo. Chegam, nesta missão, a sequestrar o coronel Antônio Gurgel.
  • Década de 1930: Lampião e seu bando começam a ser perseguidos por policiais.. O grupo vive de saques a fazendas e assaltos a estabelecimentos comerciais.
  • 1930: Conhece Maria Bonita, que ingressa para o bando e se torna a mulher de Lampião.
  • 1932: Nasce a filha do casal Lampião e Maria Bonita, Expedita Ferreira.
  •  1938: Lampião e seu bando caem em uma emboscada comandada pelo tenente João Bezerra. Todo o bando é morto de forma cruel.

Estratégias e técnicas dos cangaceiros

Lampião, Maria Bonita e seu Bando de Cangaceiro
(Foto Reprodução)

Apontam os historiadores e pesquisadores que os bandos de cangaceiros, como o de Lampião, usavam de estratégias e técnicas específicas nos ataques. Algumas delas são:

  • Tropa pequenas: os bandos de cangaceiros eram, geralmente, pequenos. Eram formados, por no máximo ,15 pessoas. Isso era uma estratégia para garantir que o grupo não se dispersasse. Também facilitava a fuga em ocasiões de perigo.
  • Ataques noturnos: os bandos costumam fazer o seu deslocamento, a cavalo, durante a noite. Com isso, garantiam não serem vistos. Também usavam dessa técnica para matar pessoas que trabalhavam durante à noite, como trabalhadores de ferrovias e rodovias.
  • Diversos Apetrechos: os cangaceiros tinham o hábito de pendurar apetrechos e armas pelo corpo. Isso porque percorriam longas distâncias e levar bagagens junto atrapalhava as ações do bando.
  • Sem rastros: os bandos de cangaceiros, em geral, apresentavam uma grande habilidade de não deixarem rastros por onde passavam. Evitam, por exemplo, usar calçados que marcassem o solo.
  • Não mantinham vítimas presas: dificilmente os bandos faziam prisioneiros. Isso era evitado, pois dificultava que os bandos partissem em retirada rapidamente. Assim, preferiam matar a vítima ou abandoná-la no meio de florestas.
  • Liderança: os bandos de cangaceiros sempre contavam com um líder. Isso servia para por ordem ao grupo.
  • Coiteiros: os coiteiros eram pessoas que davam abrigo aos bandos, em troca de pagamento. Os coiteiros deveriam negar até o fim que viram os cangaceiros. Caso contrário, o bando voltava ao local e matava os coiteiros que passassem informações sobre os cangaceiros.
  • Rotas para Fugas: as regiões ontem atuavam os cangaceiros eram, em geral, próximas a fronteiras entre estados. Isso porque, em caso de perseguições, era mais fácil fugir da polícia.
  • Armas: os cangaceiros jamais deixavam suas armas pelo caminho, no caso de retiradas. Também se apoderavam das armas de inimigos.

Lampião é morto

Lampião morreu assassinado no dia 28 de julho de do ano de 1938. A morte foi causada devido a um ataque militar surpresa, em uma cidade de Sergipe. Todo o bando foi morto. De acordo com as necrópsias, a morte de Lampião, como a dos integrantes do seu bando, fora realizada com requintes de crueldade.

A lenda de Lampião

Muitas lendas sobre Lampião foram criadas. O bando espalhava medo por onde passava. Porém, foram adorados também, principalmente pela população pobre do Nordeste. Algumas lendas sobre o cangaceiros são:

  • Testículos cortados: diziam que se Lampião flagrasse casos de incesto – que não era raro, na época, nas regiões mais afastadas do Nordeste – ele cortava os testículos do homem. Na época, muitos homens forçavam irmãs a terem relações sexuais com eles.
  • Crianças atacadas por punhal: para evitar que os coiteiros dessem abrigos ao bando de Lampião em troca de dinheiro, criou-se uma lenda. A história dizia que o bando exterminava as crianças da família de coiteiros. Eles jogavam as crianças para o alto e a paravam com o punhal.
  • Sal: lenda sobre Lampião que diz que ele chegou à residência de uma senhora e pediu que ela preparasse comida para o seu bando. Com medo da presença do bando, acabou esquecendo de salgar a comida. Um dos cangaceiros do bando reclamou da falta de sal na refeição. Pela reclamação, Lampião executou o próprio integrante de seu bando. Antes de assassina-lo, porém, Lampião despejou um pacote de sal no prato do cangaceiro e o obrigou a comer tudo.

Livros e filmes sobre a sua história

Alguns dos livros que contam a história de Lampião são:

  • Lampião, o homem que amava as mulheres;
  • De Virgulino a Lampião;
  • Lampião,o Rei dos cangaceiros;
  • Lampião na cabeça;
  • Assim morreu Lampião;
  • Lampião a Maria Bonita;
  • Cangaços; entre outros.

Já alguns filmes que tratam da história do “Rei do Cangaço” são:

  • Lampião, o rei do cangaço;
  • O último dia de Lampião;
  • Meu nome é Lampião;
  • Lampião e Maria Bonita;
  • O Cangaceiro; entre outros.

Pergunta dos leitores

Lampião teve uma filha?

Sim, Lampião teve uma filha com Maria Bonita. A menina nasceu no ano de 1932. Foi batizada com o nome de Maria Expedita de Oliveira Ferreira Nunes.