Lygia Clark – História, Característica de Suas Obras, Principais Exposições


Lygia Clark foi uma artista brasileira nascida em Belo Horizonte que, orientada por Roberto Burle Marx e Zélia Salgado iniciou seus estudos artísticos no Rio de Janeiro. Embora fosse uma excelente pintora e escritora não gostava de ser rotulada como artista, preferindo o título de propositora.

Desde que deixou sua cidade natal e sua família tradicional de juristas, Lygia Clark revolucionou com sua arte abrindo novas perspectivas para a arte contemporânea no Brasil.

Para ela não haviam limites entre obra e vida e conceituava que arte e terapia psicológica andavam de mãos dadas. Trabalhava entre a psicanálise e suas obras artísticas, mas aos poucos, foi trocando a pintura pela experiência com objetos tridimensionais.

História de Lygia Clark

Viveu em Paris entre 1950 a 1952. Nesse período, estudou com Fernand Léger, Arpad Szenes e Isaac Dobrinsky. Após este período, retornou ao Brasil onde fez parte do Grupo Frente, liderando por Ivan Serpa. Este foi um grupo artístico brasileiro que ganhou repercussão por ter iniciado o movimento construtivo das artes plásticas.


Em 1959 fundou, juntamente com outros artistas o Movimento Neoclássico. Com este movimento estabeleceu uma linguagem abstrata na arte brasileira.Obras Lygia Clark

Ainda em 1959 fez parte da Primeira Exposição Nacional de Arte Neoconcreta no Rio de Janeiro juntamente com outros artistas como Lygia Pape, Amílcar de Castro, Sérgio Camargo, Ferreira Gullar…

Começou a lecionar no Instituto Nacional dos Cegos em 1964. Neste mesmo período criou a série Bicho. Esta série se baseava em esculturas metálicas com formatos geométricos com dobradiças para dar movimentos. Também criou a Obra Mole. Nesta, pedaços de borrachas laminadas eram entrelaçadas. Também utilizava sacos plásticos, conchas, pedras para compor a arte.

Retornou a Paris e entre 1970 e 1975 e lecionou na Faculdade de Artes Plásticas St. Charles para o curso de Comunicação Gestual. Neste período utilizou diversos objetos sensoriais para realizar experiências terapêuticas com os alunos.

Novamente no Rio de Janeiro estudou as possibilidades terapêuticas da arte sensorial e dos objetos relacionados. Entre 1978 e 1985 começou a realizar consultas terapêuticas particulares priorizando a psicanálise.

Lygia Clark foi reconhecida internacionalmente por suas obras as quais foram mostradas em variadas capitais internacionais.

Principais obras de Lygia Clark

Lygia Clark publicou várias obras dentre elas:

  • Descreveu as linhas orgânicas no Livro Obra em 1956;
  • Em 1957 escreveu A Influência de Albers;
  • Em 1958 escreveu sobre sua série de quadro intitulada Planos em Superfície Modulada;
  • Em 1959 escreveu suas séries Espaço Modulado e Unidade;
  • Em 1983 seu Livro Obra foi publicado com todas as séries escritas por Lygia Clark;
  • Em 1963 criou a obra Caminhando. Nela a experiência de cortar o papel e ligar suas pontas formando um elo e torcendo uma da pontas permitia aos participantes de fato sentirem e fazerem parte da experiência.
  • Em 1968 produz Nostalgia do Corpo.

Características criticas em suas obras

Lygia Clark foi quem introduziu no meio artístico a arte participativa, interativa e compartilhada. Desta forma conseguiu destravas o inconsciente através de sua arte. Colocava em prática a manifestação artística transcendental

O conceito de participação foi o que Lygia Clark mais inseriu em suas artes, sendo esta sua característica mais marcante.

Principais exposições

Os trabalhos que ganharam mais destaques foram Nostalgia do Corpo em 1968, A Casa é o Corpo: Labirinto em 1968 e a Baba Antropológica em 1973.

  • Nostalgia do Corpo. Permitia que o público pudesse sentir coisas simples como o soprar da respiração e a sensação da pedra na palma de mão;
  • A Casa é o Corpo: Labirinto. Através da simulação de um útero os visitantes da exposição podiam percorrê-lo e sentir cada compartimento através do toque;
  • Baba Antropológica. Várias pessoas podia derramar sobre outros indivíduos que permaneciam deitados, fios saídos de suas bocas.

Morte de Lygia ClarkLygia Clark

Vítima de ataque cardíaco, Lygia Clark faleceu em 25 de Abril de 1988 na cidade do Rio de Janeiro. Vários artistas admiradores das suas obras e até parceiros de trabalho com a arte lamentaram a perda.

O poeta e crítico Ferreira Gullar citou “Lygia buscava sempre um caminho novo, um caminho diferente. Quando participou do Grupo Neoconcreto com Hélio Oiticida, Lygia Clark e eu, havia um intercâmbio de experiências, uma mútua influência. É a morte de uma das artistas mais características desse grupo de inquietos”.

Segundo o artista plástico José Resende “A sensação é a de uma morte que acontece numa atividade plena. A Lygia era uma referência muito feliz para os amigos, por sua convicção, energia e bravura. Foi uma das que levou mais adiante toda a aventura que se iniciou no movimento neoconcreto, que é uma referência fundamental para todos nós artistas que continuamos trabalhando”.

Sua morte causou grande repercussão na mídia, levando a artistas, críticos e poetas, mas principalmente fãs de sua obra a se lamentarem pela grande perda que a arte e a psicanálise sofria.