Monteiro Lobato – Biografia, Polêmicas, Principais Obras, Fábulas e frases


Não existe quem nunca tenha ouvido falar do famoso Sítio do Pica-pau amarelo, não é mesmo?! Pois bem, Monteiro Lobato foi o criador disso tudo, bem como de muitas outras obras importantes para a literatura brasileira.

Então, para saber um pouco mais sobre essa figura, continue lendo e descubra tudo sobre ele. Vamos lá?!

Quem foi Monteiro Lobato?

José Bento Renato Monteiro Lobato, ou somente Monteiro Lobato, nasceu em Taubaté, na Província de São Paulo, em 18 de janeiro de 1882. Atualmente o local se chama Município Monteiro Lobato.

Ele foi um importante escritor, diretor, ativista, editor e produtor brasileiro. Ele editou diversos livros inéditos e também o autor de traduções importantes.


Juventude e início de carreira

Monteiro Lobato foi criando em um sítio e alfabetizado lá mesmo por sua mãe, Olímpia Augusta Lobato. Posteriormente ele teve um professor particular. Entrou para o colégio quando tinha 7 anos de idade, quando descobriu uma biblioteca imensa na casa de seu avô, o Visconde de Tremembé.

Lá, ele leu todos os livros de literatura infantil que estavam na língua portuguesa. Assim, logo nos primeiros anos de escolha, já produzia pequenos contos.

Com 11 anos ele foi tansferido para o colégio São João Evangelista. Já no ano de 1897 ele prestou exames e reprovou no curso preparatório.

Já na sua juventude, retornou ao colégio paulista e iniciou suas incursões literárias sendo colaborador de pequenos jornais. O seu pseudônimo na época era Jobsen ou Nhô Dito. Depois, prestou o exame para o curso preparatório novamente e foi aprovado desta vez.

Escrevia muito para a família descrevendo a cidade de São Paulo, para onde se mudou. Lá se tornou u interno do Instituto de Ciências e Letras.

No ano seguinte, seu pai morei. Ele também decidiu que iria participar do Grêmio Literário Álvarez de Azevedo. Sua mãe faleceu em 1899 vítima de depressão.

Monteiro Lobato desenhistaFoto de Monteiro Lobato

Na época, ele se tornou caricaturista e desenhista, visto que desde cedo tinha talento para o desenho. O seu sonho era frequentar a Escola de Belas-Artes, mas seu avô o considerava o sucessor nos negócios, fazendo com que ele ingressasse na faculdade de Direito.

Mesmo tendo feito isso, ele seguiu colaborando com diversas publicações infantis e fundou a Arcádia Acadêmica, juntamente com seius colefas de turma. A essa época, Monteiro Lobato já era bastante elogiado como sendo um comentarista original e com um senso de humor impagável.

Depois de 2 anos ele foi eleito o presidente da Arcádia Acadêmica e foi colaborador do jornal “Onze de Agosto”. Lá ele escrevia sobre teatro.

Monteiro Lobato não era muito convencional e sempre dizia o que pensava, agradando ou não.

A fama e o auge em sua carreira

Não demorou para que Monteiro Lobato atingisse a fama. No ano de 1910 seu artigo “Velha Praga” foi publicado na edição vespertina de O estado de São Paulo, O Estadinho.

Nessa mesma época ele se envolveu com a política na Vila de Buquira, que hoje é o Município Monteiro Lobato (SP). No entanto, deixou isso de lado em seguida.

Foi em fevereiro de 1916 que nasceu a sua última filha, chamda Rute. Nessa época ele começava a colaborar com a Revista do Brasil, recém fundada.

O ano de 1914 foi decisivo para a carreira literária. Isso porque como fazendeiro que era, ele estava cansado por causa das queimadas constantes feitas pelo caboclos. Foi então que ele escreveu “Velha Praga”, cujo foi enviado para a sessão de reclamações do jornal O Estado de São Paulo.

Ao perceber o valor daquela carta, fizeram a sua publicação na sessão destinada aos leitores. Isso gerou muita polêmica fazendo com que Monteiro Lobato escrevesse diversos outros artigos, tal como o famoso Urupês. Foi então que ele deu vida a um de seus personagens mais famosos. o Jeca Tatu.

Seguindo a sua carreira, continuou com suas publicações. A grande maioria de seus personagens eram inspirados em figuras da sua infância na fazendo Buquira.

A vida como escritor e editor

No ano de 1918, Monteiro Lobato adquiriu a Revista do Brasil. Foi então que começou a dar espaço para novos talentos. Dessa forma, ele se tornou um intelectual muito engajado no nacionalismo e sua causa, dedicando-se a isso.

Como crítico, sempre usava o sarcasmo e a caricatura. Ele também foi o precursor de ideias bastante interessantes na área editorial. Para ele, “um livro é uma sobremesa: deve ser posto embaixo do nariz do freguês”. Com esse pensamento, adotou uma abordagem mais comercial, tratando livros como bens de consumo, criando capas atraentes e coloridas. Isso sem falar em uma produção gráfica impecável.

Seus livros, primeiramente, foram publicados pela Editora da Revista do Brasil. Depois ele fundou a Editora Monteiro Lobato & Cia, que mudou de nome posteriormente para Companhia Editora Nacional na qual foram lançados diversos sucessos.

Ele dava uma prioridade para escritores iniciantes, como Maria José Dupré. dona do sucesso “Eramos seis”. Ele ainda traduziu e editou muitos livros e obras importantes e também polêmicos.]

Em julho desse mesmo ano, dois meses após a compra, ele publicou Urupês como livro. Essa obra teve muito sucesso e repercussão na época. Até mesmo Ruy Barbosa citou o livro durante um discurso em 1919.

Em 1920 seu conto “Os Faroleiros” foi usado para um filme de Antônio Leite e Miguel Milani. Logo em seguida, Monteiro Lobato publicou “A menina do Narizinho Arrebitado”, que foi sua primeira obra infantil. Foi ela que deu origem à Narizinho do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

O sucesso

Em 1921 a imprensa anunciava a distribuição gratuita de exemplares do livro para as escolar, totalizando 500 doações.  O sucesso do mesmo entre as crianças foi tanto que rendeu diversas continuações, tais como:

  • Fábulas de Narizinho (1921)
  • O Saci (1921)
  • O Marquês de Rabicó (1922)
  • A Caçada da Onça (1924)
  • O Noivado de Narizinho (1924)
  • Jeca Tatuzinho (1924)
  • O Garimpeiro do Rio das Garças (1924), entre outros.

A repercussão disso foi enorme, resultando em altas tiragens daqueles livros que editava. Com isso, sai dedicação à editora passou a ser em tempo integras. Já a direção da Revista do Brasil foi entregue a Paulo Prado e Sérgio Millet.

A seca e a falência

A demanda de livros era muito grande, fazendo com que ele importasse máquianas da Europa e dos EUA a fim de aumentar a produção. No entanto, houve uma grande seca que gerou o corte no fornecimento de energia elétrica. A gráfica então só poderia funcionar 2 dias na semana.

Por fim, algumas medidas tomadas pelo presidente Artur Bernardes fizeram com que o escritor tivesse um grande prejuízo. A sua única alternativa foi decretar falência no ano de 1925. Isso não significou o fim do seu empreendimento editorial. Em pouco tempo ele já estava preparado para abrir outra empresa: a Companhia Editorial Nacional numa sociedade com Octalles Marcontes. Por isso se transferiu para o Rio de Janeiro.

Polêmicas na vida de Monteiro LobatoDesenho dos personagens do Sítio do Pica-pau amarelo

Algumas polêmicas envolvem a obra de Monteiro Lobato. Uma delas é a denúncia de trechos racistas na oba “Caçadas de Pedrinho”. Essa denuncia foi feita no ano de 2010 pelo professor Antônio Gomes que era técnico em gestão educacional da Secretaria do Estado da Educação do Distrito Federal.

Vale lembrar que o livro, além de ser referência do ensino particular em DF ainda integrou o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) de 1998 até 2003.

Muita coisa aconteceu entre idas e vindas do processo, incluindo até mesmo um processo para o ensino da cultura afro-brasileira nas escolar.

Maiores obras de Monteiro Lobato

A obra de Monteiro Lobato é bastante extensa e conta com um grande número de publicações. Dentre elas é possível encontrar obras adultas e infantis, veja a seguir.

Obras adultas:

  • Urupês;
  • Cidades mortas;
  • Negrinha;
  • Idéias de Jeca Tatu;
  • A onda verde e O presidente negro;
  • Na antevéspera;
  • O escândalo do petróleo e Ferro.

Obras infantis:

  • Reinações de Narizinho;
  • Viagem ao céu e O Saci;
  • Caçadas de Pedrinho e Hans Staden;
  • História do mundo para as crianças;
  • Memórias da Emília e Peter Pan;
  • Emília no país da gramática e Aritmética da Emília;
  • D. Quixote das crianças;
  • O poço do Visconde;
  • Histórias de tia Nastácia;
  • O Picapau Amarelo e A reforma da natureza;
  • O Minotauro;
  • Os doze trabalhos de Hércules

Principais frases de Monteiro Lobato

Como não poderia ser diferente, esse célebre escritor deu origem à diversas frases que marcaram sua época. Veja algumas das principais frases de Monteiro Lobato:

“De escrever para marmanjos já estou enjoado. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo.”

“Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê.”

“É errado pensar que é a ciência que mata uma religião. Só pode com ela outra religião.”

“Um país se faz com homens e livros.”

“Tudo tem origem nos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos.”

“O livro é uma mercadoria como qualquer outra; não há diferença entre o livro e um artigo de alimentação. (…) Se o livro não vende é porque ele não presta”.

Morte e últimos anos de vida

Monteiro Lobato, mesmo depois de livre, teve uma vida conturbada. O seu filho Edgar, o mais velho, faleceu em 1942, apenas 3 anos depois da morte de Guilherme.Imagem das Obras de Monteiro Lobato

Caio Prado Júnior fundou em 1943 a Editora Brasiliense em 1943. Ela negocio com Monteiro Lobato a aquisição de todas as suas obras. Depois disso o autor ainda negou uma indicação para a Academia Brasileira de Letras.

Porém, passou a integrar a delegação paulista do I Congresso Brasileiro de Escritores. Juntos divulgaram a necessidade de retomada da liberdade de expressão e pensamento.

A censura e a ditadura acabaram com os empreendimentos de Monteiro Lobato. Isso fez com que ele ficasse mais próximo dos comunistas. Ele recebeu, inclusive, um convite do Partido Comunista para ingressar na vida pública. Ele negou o convite, mas enviou uma carta de saudação à Luís Carlos Prestes que foi lida e um grande comício realizado em 1945.

Em seguida foi publicada a versão italiana de Narizinho, ilustrada por Vicenzo Nicoletti. Em segui, a Menina do Nariz Arrebitado virou uma radionovela infantil na Rádio Globo.

Ele ainda se tornou o diretor do Instituto Cultural Brasil-URSS. No entanto, teve que se afastar em 1945 quando foi internado às pressas com um cisto no pulmão.

Em 1946 se mudou para Buenos Aires atraído pela culinária. No entanto, antes de se mudar ele virou sócio da Editora Brasiliense, convidado por Caio prado Júnior. A essa época, já estava sendo preparada a sua Obra Completa em espanhol, editadas na Argentina. No ano seguinte, retornou em 1947 por não ter se acostumado ao clima.

Retorno

Ao dar uma entrevista aos repórteres que o esperavam no aeroporto, ele se referiu ao governo de Eurico Gaspar Dutra como “Estado Novíssimo, no qual a constituição seria pendurada (suspensa)  um ganchinho no quarto dos badulaques”. Dessa revolta surgiu sua última obra, chamada Zé Brasil, que também ganhava vida com Jeca Tatu.

Em 1948 ele teve um primeiro espasmo vascular, tendo seus movimentos afetados. Ainda assim, se filiou a revista Fundamentos, publicando alguns folhetos.

Monteiro Lobato faleceu alguns dias depois de ter concedido uma entrevista à Murilo Antunes Alves, da Rádio Record. Então, no dia 4 de julho de 1948, com 66 anos, ele veio a falecer às 4 horas da manha por causa de um segundo espasmo.

O velório aconteceu na Biblioteca Municipal de São Paulo sob forte comoção popular. Ele foi sepultado no Cemitério da Consolação.

Curiosidades

Monteiro Lobato foi um ícone da sua época e é considerado até os dias de hoje como um excelente representante da literatura brasileira. Como não poderia ser diferente, algumas curiosidades compõem a sua história, veja:

  • Ele sempre afirmava que havia nascido em 1884, mas a verdade era que nasceu em 1882.
  • Na escola ele era um aluno mediano e foi até mesmo reprovado em português.
  • Desistiu da pintura no dia em que confundiu um estojo de aquarela com um de óleo.
  • Seus livros fizeram muito sucesso fora do Brasil também, em países como Argentina e Uruguai.

Pronto, agora você já sabe um pouco mais sobre Monteiro Lobato, sua vida e obra. Aproveite!