Sérgio Buarque de Holanda – Biografia, Principais Ideias, Obras e Frases


Poucos historiadores brasileiros tem maior notoriedade que Sérgio Buarque de Holanda. Além de historiador, foi crítico literário, jornalista e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).

Quem foi Sérgio Buarque de Holanda?

Como mencionado, Sérgio Buarque de Holanda foi um historiador brasileiro, crítico literário, jornalista e um dos fundadores do PT. Nasceu em São Paulo, em 11 de julho de 1902.

O intelectual estudou no Ginásio S. Bento e na Escola Modelo Caetano de Campos. Na Escola Modelo desenvolveu a valsa “Vitória Régia”, editada 2 anos depois pela revista Tico-Tico.

Contexto histórico

Sérgio Buarque de Holanda influenciou a história do Brasil não somente com suas obras e trajetória acadêmica. Mas também por ter sido membro-criador do PT – um partido inovador e desafiador para a época. Participou das polêmicas ações do Partido dos Trabalhadores, que fazem parte da ideologia do partido político até os dias atuais.


Biografia resumida

Sérgio Buarque de Holanda mudou-se com sua família em 1921 para o Rio de Janeiro. O historiador teve participação ativa no Movimento Modernista de 22. Fora, inclusive, nomeado por Mário de Andrade e Oswald de Andrade como representante do grupo frente à revista Klaxon.

Em 1925, formou-se em Direito pela Universidade do Brasil. Já em 1926, foi convidado a assumir a direção do jornal impresso “O Progresso”. O periódico ficava em Cachoeiro do Itapemirim (ES), para onde se mudou. Ainda em 1926 fechou parceria com Prudente de Morais Neto em uma revista chamada “Estética”.

Em 1927, Sérgio Buarque de Holanda voltou para o Rio de Janeiro. Na capital carioca iniciou seu trabalho no “Jornal do Brasil”.

Sérgio Buarque de Holanda se muda para a AlemanhaSérgio Buarque de Holanda biografia

Já em 1929 o jornalista foi para a Europa representando os “Diário Associados”. Estabeleceu-se em Berlim, onde conheceu mais sobre as ideias de Max Weber. Chegou acompanhar seminários de Friedrich Meinecke.

O jornalista tornou-se colaborador na revista “Brasilianische Rundschau” do Conselho do Comércio Brasileiro de Hamburgo, em 1930. No ano de 1936, Sérgio Buarque de Holanda voltou ao Brasil. Começou, então, a trabalhar na Universidade do Distrito Federal.

Na importante instituição de ensino atuou no cargo de professor-assistente de Henri Hauser. Trabalhava na cadeira de História Moderna e Contemporânea. Também ministrava aulas de Literatura como professor auxiliar.

Foi nessa época, que o historiador publicou o que viera a ser uma verdadeira obra-prima: “Raízes do Brasil”. – que aborda  os mais diversos aspectos da nossa cultura. Em 1939, a então Universidade do Distrito Federal encerrou suas atividades e o jornalista foi convidado a assumir a direção da seção de publicações do Instituto Nacional do Livro.

Em 1944, Sérgio Buarque de Holanda assumiu o cardo de Diretor da Divisão de Consulta da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Já no ano seguinte, participou da edificação da Esquerda Democrática.

Sérgio Buarque de Holanda é nomeado presidente da Associação Brasileira de Escritores

Ainda em 1944, vai a São Paulo e passa a integrar o Congresso de Escritores. Sérgio Buarque de Holanda é, então, nomeado  presidente da seção do Distrito Federal da Associação Brasileira dos Escritores.

Em 1946, em São Paulo ainda, assume o cargo de diretor do Museu Paulista. Um ano depois, Sérgio Buarque de Holanda passa a aderir ao Partido Socialista. Ele também encarrega-se, então, em assumir as aulas de História Econômica do Brasil, na Escola de Sociologia e Política, substituindo Roberto Simonsen.

No ano de 1952, muda-se com a família para a Itália. No país permanece por dois anos no cargo de professor convidado da cadeira de Estudos Brasileiros da Universidade de Roma.

Em 1957, Sérgio Buarque de Holanda é agraciado com o Prêmio Edgar Cavalheiro do Instituto Nacional do Livro, por sua notória publicação “Caminhos e Fronteiras”. Já em 1958 presta concurso público e assegura uma cadeira de História da Civilização Brasileira, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). No mesmo ano defende com louvor a tese “Visão do Paraíso – os motivos edênicos no descobrimento e na colonização do Brasil”.

Sérgio Buarque de Holanda é eleito o 1º Diretor do IEB

No ano de 1962, o jornalista é eleito Primeiro Diretor do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros). Por cinco anos, de 1963 a 1967, Sérgio Buarque de Holanda transitou como professor-visitante das Universidades do Chile e dos Estados Unidos. Também, nesta época, fez parte de diversas missões culturais promovidas pela UNESCO, no Peru e na Costa Rica.

Em 1969, o jornalista e professor pediu para se aposentar como catedrático da USP. Tal atitude foi movida pelo sentimento de solidariedade aos colegas que haviam sidos afastados da instituição pelo AI-5.

Vale lembrar que em 1967, Sérgio Buarque de Holanda recebeu o Prêmio de Governador do Estado na categoria de Literatura. E no ano de 1979, recebeu o Prêmio Juca Pato – sendo considerado o intelectual do ano.

Já em 1980 tornou-se membro fundador do PT. Participou ativamente de todas as atividades do partido político, então, recém criado.

Sérgio Buarque de Holanda falece em 24 de abril de 1982, vítima de um câncer de pulmão.

Principais ideais de Sérgio BuarqueSérgio Buarque de Holanda

Sérgio Buarque de Holanda tinha ideais baseados nas doutrinas de diversos intelectuais, principalmente de Max Weber. O jornalista, professor e membro-fundador do Partido dos Trabalhadores tenta compreender a realidade brasileira na maioria de suas obras.

Ele baseia-se na perspectiva do tipo ideal do cidadão brasileiro. Nesse contextos, Sérgio Buarque de Holanda estuda a formação da sociedade brasileira. Ele aponta um atraso histórico no desenvolvimento do nosso país e o relaciona com a forma que a sociedade lida com as coisas públicas.

Sérgio Buarque de Holanda acredita que apenas sob forças transformadoras poderia haver a superação da cordialidade – nome que dava ao famoso “jeitinho brasileiro”. Acreditava que esse processo de transformação era possível de forma impessoal, lenta e gradual. Assim seria possível a criação de um Estado Moderno realmente forte, capaz de garantir todas as necessidades do país e dos brasileiros.

Principais obras de Sérgio Buarque de Holanda

Podemos citar como as principais obras do intelectual:

  • 1936 – Raízes do Brasil
  • 1944 – Cobra de Vidro
  • 1945 – Monções
  • 1948 – Expansão Paulista em Fins do Século XVI e Princípio do Século XVII
  • 1957 – Caminhos e Fronteiras
  • 1959 – Visão do Paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil
  • 1972 – Do Império à República
  • 1979 – Tentativas de Mitologia
  • 1985 – Sergio Buarque de Hollanda: História
  • 1986 – O Extremo Oeste [obra póstuma]

Principais frases

“A rotina e não a razão abstrata foi o princípio que norteou os portugueses, nesta como em tantas outras expressões de sua atividade colonizadora. Preferiam agir por experiências sucessivas, nem sempre coordenadas umas às outras, a traçar de antemão um plano para segui-lo até o fim.”

“Para estudar o passado de um povo, de uma instituição, de uma classe, não basta aceitar ao pé da letra tudo quanto nos deixou a simples tradição escrita. É preciso fazer falar a multidão imensa dos figurantes mudos que enchem o panorama da história e são muitas vezes mais interessantes e mais importantes do que os outros, os que apenas escrevem a história.”

Morte de Sérgio Buarque

Sérgio Buarque de Holanda veio a falecer em 24 de abril de 1982, em São Paulo. A causa da morte foi um câncer de pulmão.