Biografia de Tarsila do Amaral – Quem Foi? Principais Obras e Quadros!


Tarsila do Amaral foi uma das mais importantes desenhistas brasileiras, pintora e tradutora do Movimento Modernista Brasileiro. Em 1928, com o seu quadro “Abaporu”, inaugurou o Movimento Antropofágico nas Artes Plásticas no país.

Juventude e início de carreira

Tarsila do Amaral nasceu na cidade de Capivari (SP), no dia 1 º de setembro de 1886, na Fazenda São Bernardo. Foi filha de José Estanislau do Amaral Filho e Lydia Dias de Aguiar do Amaral. Neta de José Estanislau do Amaral, que era conhecido na região como “milionário”, devido às riquezas que acumulou ao adquirir a fazenda onde a artista nascera. O pai de Tarsila, assim, herdou um considerável patrimônio, como diversas fazendas – onde Tarsila passou sua infância e adolescência.

Como filha de um tradicional família, veio estudar na capital paulista na sua adolescência, em um colégio de freiras e, posteriormente, no Colégio Sion. Tarsila, porém, completou os seus estudos na Espanha, em Barcelona. Nessa época já dedicava parte de sua vida às artes, tendo pintado, na ocasião, o seu 1 º quadro:  “Sagrado Coração de Jesus” – aos 16 anos de idade.

Voltou para o Brasil e casou-se com o seu noivo André Teixeira Pinto, com quem teve uma filha. Já no ano de 1916, começa a trabalhar no ateliê do escultor sueco radicado em São Paulo, William Zadig.


Com William Zadig, aprende a desenvolver modelagens em barro. Em 1920, se separa do marido e vai para Paris. Na França, estuda na Academia Julian – uma conceituada escola de escultura e pintura. Chega a estudar com a famosa artista Émile Renard.

Tarsila do Amaral obra

O casamento e sua filha

Como já mencionado, Tarsila do Amaral casou-se com André Teixeira Pinto ao voltar de Paris. Com ele teve sua única filha, Dulce Pinto. Porém, a união não dura muitos anos. Tarsila e André se separam em 1920.

Vida e Obra

Logo após a separação, em 1922, a artista tem uma de suas telas aprovadas no “Salão Oficial dos Artistas Franceses”. É nesse mesmo ano que volta para o Brasil e se junta aos intelectuais que formavam o “grupo modernista”.

Faz parte do “Grupo dos Cinco” – formado por ela, Anita Malfatti, Mário de Andrade Oswald de Andrade e Menotti del Picchia.

Já divorciada, nessa época, começa a namorar o escritor Oswald de Andrade. Embora não tenha participado da “Semana de 22”, suas obras são consideradas modernistas.

Tarsila viaja novamente à  Europa, no ano de 1923, mas mantém contato com os modernistas de lá. Os modernistas europeus se tratavam de pintores, intelectuais, poetas e músicos.

Na Europa, aproveita para aprimorar seu talento artístico, estudando com Fernand Léger e Albert Gleizes e Fernand Léger – grandes mestres da arte cubista. Tarsila mantém sua  amizade com Blaise Cendrars – poeta suíço que, em 1924, visitara o Brasil. Nessa mesma época, Tarsila começa a sua tela “Pau-Brasil” – caracterizada por muitas cores e temas extremamente brasileiros.

No ano de 1925, a artista é convidada para ilustrar o livro “Pau-Brasil”, de Oswald de Andrade. Já no ano de 1926, Tarsila  expõe seus trabalhos em Paris, ganhando extremo êxito e reconhecimento.

No mesmo ano, se casa com Oswald de Andrade. No ano de 1928, produz sua tela “Abaporu” para presentear o marido  Oswald de Andrade, que se empolga com a obra e cria, através dela, o “Movimento Antropofágico”. Este período marca a sua  fase antropofágica nas artes.

Vida e Obra – Parte 2

No ano de 1929, Tarsila  expõe suas obras, individualmente,  pela 1 ª vez no Brasil. A exposição acontece no Palace Hotel, em São Paulo. No ano de 1930, Tarsila e Oswald se separam.

No ano de 1933, a artista pinta a sua tela “Operários” – que dá início a sua fase de artes sociais no país. Em 1934, participa com êxito do “I Salão Paulista de Belas Artes”.

Na mesma época, começa a namorar o escritor Luís Martins – relacionamento que perdurou quase 20 anos. Dos anos de 1936 a 1952, Tarsila atua como colunista nos Diários Associados, ilustrando retratos de personalidades da época.

Já nos anos 50, retorna para o tema “Pau Brasil”. No ano de 1951, Tarsila participa da “I Bienal de São Paulo”. E em 1963, ganha uma sala vip na “VII Bienal de São Paulo”. No no seguinte, exerce participação especial na “XXXII Bienal de Veneza”, na Itália.

No ano de 1970, Tarsila produz em São Paulo e no Rio de Janeiro uma exposição da retrospectiva de suas obras, com o nome de “Tarsila: 50 anos de Pintura”. Recebe, em 1971, o prêmio “Golfinho de Ouro”.

Aos 86 anos, Tarsila do Amaral vem a faleceu em São Paulo, no dia 17 de janeiro de 1973.

Auge da carreira

O auge da carreira de Tarsila do Amaral pode ser considerada como a 3 ª e última fase de seu trabalho – que coincidiu com sua ida para Paris. A artista chega a a trabalhar como operária na cidade em uma construção, após uma rápida passagem pela União Soviética.

Foi nessa fase, no ano de 1933, com a produção do aclamado  quadro “Operários”, que a artista inaugura sua fase de produções sociais, voltadas aos problemas da época. Anos depois, Tarsila retorna aos temas de suas fases passadas, além de agregar novos elementos aos seus trabalhos,  como temas religiosos.

Principais obras de Tarsila do Amaral

Entre as principais obras de Tarsila do Amaral, podemos citar:

Tarsila do Amaral foto

  • Pátio, Com Coração de Jesus, 1921
  • Chapéu Azul, 1922
  • A Espanhola, 1922
  • Margaridas de Mário de Andrade, 1922
  • O Passaporte, 1922
  • Árvore, 1922
  • Retrato de Mário de Andrade, 1922
  • Retrato de Oswald de Andrade, 1922
  • Manteau Rouge, 1923
  • Estudo, 1923
  • A Negra, 1923
  • Rio de Janeiro, 1923
  • Figura Azul, 1923
  • Caipirinha, 1923
  • Morro da Favela, 1924
  • Auto Retrato, 1924
  • A Família, 1925
  • O Pescador, 1925
  • Palmeiras, 1925
  • Sagrado Coração de Jesus, 1926
  • Religião Brasileira, 1927
  • Abaporu, 1928
  • O Lago, 1928,
  • A Boneca, 1928
  • Cartão Postal, 1928
  • Antropofagia, 1929
  • Floresta, 1929
  • Retrato do Padre Bento, 1931
  • Operários, 1933
  • Segunda Classe, 1933
  • O Casamento, 1940
  • Procissão, 1941
  • Terra, 1943
  • Primavera, 1946
  • Praia, 1947
  • Criança, 1949
  • Costureiras, 1950
  • Porto I, 1953
  • Procissão, 1954
  • A Metrópole, 1958
  • Porto II, 1966
  • Religião Brasileira IV, 1970

Características em suas obras

As principais características nas obras de Tarsila do Amaral são: o uso de cores vivas, o uso de formas geométricas (influências da arte cubista), uma estética fora dos padrões convencionais (influências da sua fase antropofágica e surrealista) e uso de temas sociais – como paisagens e cotidianos do Brasil.

Últimos anos de vida e sua morte

O ano de 1963 é marcado por Tarsila receber uma sala especial de exposição na “VII Bienal de São Paulo” e pela sua participação especial na exposição italiana “XXXII Bienal de Veneza”, em 1964.

Já o ano de 1970 é marcado pela exposição que Tarsila realiza no Rio de Janeiro e em São Paulo, com a retrospectiva de suas obras: “Tarsila: 50 anos de Pintura”. Em 1971 é contemplada com o prêmio “Golfinho de Ouro”.

Tarsila do Amaral vem a falecer no dia 17 de janeiro de 1973, em São Paulo, aos 87 anos.

Homenagens a Tarsila do Amaral

Após sua morte, diversas exposições e eventos fizeram homenagem a uma das principais artistas do país, especialmente do Movimento Modernista.